20 de jul de 2008

Recordações de infância


Todos nós trazemos memórias de infância, algumas mais pungentes de que outras...enquanto crianças sentimos mais do que racionalizamos.... Existe assim um arquivo de memórias que em adulto facilmente pode trazer lá de trás a saudade que o cheiro do bolo que nos provoca, o local que acorda a vontade de ir beber um leite com chocolate porque era essa a prática... E aquela tonalidade de dia, um cheiro e luz que só o próprio identifica e que o transporta para um momento menos bom. Que faz doer o coração, que amachuca a auto-estima antes e se é que algum dia isso vai acontecer, de provocar um riso meio amarelado. Aquele sorriso da compreensão tardia, de que os pais dão aos filhos o que de melhor têm...

Ontem na praia, uma mãe gritava com o filho, quase à beira do desespero em resultado do falhanço do dia anterior nos exercícios de matemática, os berros incomodavam os vizinhos, os 2 irmãos brincavam na água com o pai, estava um dia excelente e o mar soberbo. O miúdo vestido não lhe passasse pela cabeça o banho de mar suplicava à mãe que o deixasse fazer à maneira dele (possivelmente errado) a mãe apagava o que ele fazia, continuando a verbalizar em alto volume que ele tinha que entender a matemática se queria ser alguém na vida... O garoto por um lado choramingava e por outro estava cheio de curiosidade pelas pulgas do mar que os irmãos apregoavam...

Eu fiquei cansada...o miúdo não sei se vai algum dia gostar de matemática...e assim se gravam memórias profundamente.

A memória é muito vigorosa nas crianças e por isso a imaginação é excessivamente viva, pois esta não é mais que uma memória dilatada e composta
Giambattista Vico

4 comentários:

Samsara disse...

O que podemos fazer é divulgar o mais possível, sensibilizar os outros como fazes aqui, para que todos vamos tomando consciência e possamos ser mais tolerantes, não só para os nossos filhos, mas para todos em geral.
Deixando-os pensar pela sua cabeça e deixando-os dar as suas cabeçadas amparadas por nós quando for necessário.
Bjs e bom Domingo

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

ámen :-) bom domingo :-)bjo

Maria Paula disse...

Bom dia Ana.

Excelente artigo. Eu só estou a imaginar como terá sido a infância da mãe... :( O miúdo, se tiver de gostar, há de gostar, julgo eu, pois será bem mais forte do que a memória de uma mãe que não o soube sentir...
Ainda bem que o miúdo não racionalize ao nível da mãe... :)
Um bom domingo
Bjs MP

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

Obrigada pelo comentário Maria Paula, é verdade que não podemos ter certezas do resultado... mas que nos faz pensar faz...e reflectir, o que é sempre bom :-)

Votos de um excelente domingo.
bjo.