28 de ago de 2008

Sociedade



Todos os anos em Setembro no mês das matriculas, dá-se a corrida às entradas nas faculdades, as conversas em torno das médias que dão ou não para entrar tomam conta de uma boa parte das reuniões sociais. Muitos vezes a pressão dos pais é muito superior à do jovem que não está totalmente convencido de que é aquela a sua verdadeira vocação, ou se a 1ª escolha assinalada é fruto de uma influência exterior que o foi sugestionando!? Em conversas anteriores a Setembro, era vulgar ouvir os pais dizerem ...que não impõem aos filhos a sua vontade, que eles é escolhem e têm é que fazer aquilo que lhes dá prazer...não importa ter um curso só por ter... Em Setembro os discursos mudam para...é preciso é que entre...se não para o que escolheu para outra das hipóteses...é preciso é estar lá dentro...Para o fim do mês, os diálogos passam a ... vá lá, vá lá...conseguiu entrar na 2ª não é bem aquilo que queria mas...pelo menos fica com um curso...depois faça o que quiser...nós já cumprimos a nossa parte...
É uma fase complicada e crucial da vida, se existem uns privilegiados que desde que nascem sabem o que querem fazer quando forem grandes...outros há que só o vão descobrir depois dos 40 anos, quando já não aguentarem mais o que se obrigaram a fazer uma vida inteira. Aos 18 anos não se tem consciência das consequências inerentes a todas a decisões; dali a 12 anos, no retorno de Saturno irá ser testada a posição aonde se chegou na sociedade. Há que se prepare para essa prova e que parece longínqua naquela idade, na realidade fica ao virar da esquina. Esse lugar que se ocupa na estrutura social, poderá ter sido adquirido através de um grau académico coisas de Jupiter, que a quando do seu 2º retorno aos 24 anos, normalmente coincide com uma recompensa ou realinhamento de vida, em se tratando de Jupiter há que considerar a recompensa aliada ao alargamento de horizontes e conhecimentos. Nesta idade, num mundo perfeito muitos jovens iniciam a sua vida profissional, depois de se terem devidamente preparado.
Mas se o jovem fez o curso por fazer, porque era o que esperavam dele,...num mundo competitivo como este em que se vive, onde se procura a excelência e o mediano passa a medíocre, irá estar em desvantagem ao concorrer com aqueles que segiram aquilo que queriam fazer mesmo. Além de que se dá o caso de no mesmo ano se terem licenciado um número astronómico de advogados, ou de psicólogos ou de enfermeiros..., estas levas fazem lembrar as safras dos vinhos. Sendo mais grave porque não sendo anual mas sim geracional; a geração dos advogados, a dos gestores, a dos designers, a dos psicólogos...O risco de é também maior.
Não será o jovem adulto apenas a ser testado é também toda a educação recebida que estará na berlinda na hora de prestar contas à sociedade. Coisas de Saturno.

6 comentários:

Maria Paula disse...

Boa noite Ana!

Por motivos alheios aos quais não posso citar, deixo o meu testemunho: A minha escolha foi livre e sem influências paternais (não era possível), mesmo assim não entrei em Medicina veterinária no primeiro ano; no fim do ano lectivo académico pedi transferência e consegui (não foi fácil no sistema "escuro" com o qual tive de competir); mas fí-lo com as verdadeiras armas que dispunha: as notas.
Deveria acrescentar nas profissões que mencionou a de medicina veterinária (LOL).
Mas como eu já lhe disse, dou graças a Saturno, por realmente não ter medo de enfrentar as "contas à sociedade";não importa se os há que prestam melhor mas tenho consciência que Saturno me proporcionou o "qb" para o conseguir.

Desculpe este texto longo, mas curiosamente e como é óbvio (por não conhecer na altura a Astrologia), já tinha comentado, em tempos com amigos onde o medo de singrar na vida profissional nos arrepiava, por outras palavras, o que acabou de dizer neste mais excelente artigo! ;)

Beijinho

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

Olá Maria Paula, está desculpadissima e diga de sua justiça, tenha o tamanho que tiver :-)
Pelo seu texto parece-me a que certa altura "emendou a mão", o importante é que o tenha feito porque era aquilo que sentia ser a sua vocação. Parabéns. Grata pelo testemunho pessoal.

Abraço XL

António Rosa disse...

Olá Ana Cristina,

A situação que descreveu dos cursos é de tal amplitude e tão comum que parece ter-se tornado em «normalidade». Porque a sociedade chegou a este ponto?

Abraço

António

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

António, creio ser mais um dos "pontos" em que alguns, eu incluída pensa ser necessário um step back, e uma reflexão acerca dos valores que nos movem. Hoje alguém fazia referência à agressividade no mundo empresarial em Portugal...agressividade essa que já caiu no desuso em outras sociedades que tinham essa postura há 20anos... falta tempo para pensar, ler e reflectir...e quer-se comprar auto-estima, status, prazer, conforto, felicidade...uma data de coisas que não estão nas prateleiras...

Abraço :-)

Samsara disse...

Ana Cristina
Escolhi o meu curso porque me dava emprego quando acabasse. A minha situação financeira levou-me a isso, não escolhi o que mais gostava mas sim o que me dava segurança. Foi consciente na altura. Joguei pelo seguro, e estou a ter o meu pequeno inferno ao fim de 10 anos, mas como me faltam 30 anos para a reforma (até ver) sinto que tenho ainda todas as possibilidades do mundo para ir atrás do que gosto, e vou fazer por isso, agora a questão da instabilidade financeira, da falta de emprego mantêm-se como quando fiz a minha opção. Vamos ver o que a vida me trará. os dados estão lançados.
Beijinhos

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

Sam, é muito bom que a pessoa esteja lúcida...A vida trás aquilo que nós partirmos em busca de...
Abraço