17 de fev de 2009

acontece a todos


Alguns demoram mais tempo a perceber que não há ninguém perfeito ou se calhar faz mais sentido dizer que somos todos perfeitamente imperfeitos ou seja únicos e que isso não faz de nós menos do que os outros, apenas diferentes. Conhecemos também os chavões tipo; não há situações perfeitas, não há bela sem senão, etc, etc. Quando juntamos a experiência à teoria, usualmente as noções vagas até ali, adquirem um novo brilho e significado mais profundo. Ao longo da vida todos temos oportunidades de aprender, aperfeiçoar e ir vivendo cada vez melhor na realidade que nos pertence, que fomos construindo, se assim o quisermos, porque também se pode chegar aos 50, 60 anos ou até mais, reclamando a falta de sorte, de oportunidades, num contínuo queixume da situação pessoal ou do estado actual das coisas.

Sempre que encontro esta desilusão, fico a pensar no desequilibro das polaridades, havendo sempre dois lados quando estudamos a simbologia dos planetas temos que ter estas presentes. Usando o exemplo de um transito de Neptuno que pode demorar cerca de 2 anos, os que conhecem sabem que estou a falar de uma energia difícil de apalpar, o tom a reter será o daquela música dos "encontros imediatos do 3ºgrau" e os estados podem ser um tanto ou quanto amorfos. Por isso sempre que vejo esta força atacar um ponto crucial (Sol, Lua, as Cuspes da cruz Cardinal ou seus regentes), tenho vontade de pôr a música e perguntar à pessoa pelos seus ideais ou então quão fácil para ela é deixar-se ir, como está ela em matéria de desapego.... Já que estaremos a falar de uma dissolução, o que pode ser tanto pior se quisermos agarrar a estrutura ou situação que teima em se diluir e nos confundir. Para os artistas pode funcionar como uma onda de inspiração, por isso o melhor mesmo é procurar o artista dentro de nós. Aqui há tempos alguém que se aproximava de um período destes, na nossa conversa explica-me que o maior sonho era andar pelo mundo à deriva, deambular pelas ruas das grandes capitais, longe das grandes responsabilidades que a detinham. Não sendo possível fazer precisamente precisamente aquilo, arranjou uma brincadeira para si; tirava um dia por semana para andar à deriva numa cidade qualquer, como se fosse um turista. Aquele passou a ser um momento muito desejado, muito libertador todas as semanas. Neste caso a pessoa sabia bem o que se estava a passar com ela que no caso se tratava de nutrir a suas necessidades para além daquilo que os outros esperavam dela, a manobra adoptada foi sua própria criação e autoria.

6 comentários:

António Rosa disse...

Bom dia, Ana Cristina,

«Ao longo da vida todos temos oportunidades de aprender, aperfeiçoar e ir vivendo cada vez melhor na realidade que nos pertence, que fomos construindo...»

E apenas isto dá uma trabalheira, como bem sabe.

Muito bem escrito e o exemplo dado é magnífico.

Até logo.

Ana Cristina disse...

António obrigada, quem disse que isto de viver era fácil, não contou tudo :-) até logo.

Astrid Annabelle disse...

Ana Cristina,Olá!
Gostei da brincadeira...tirar um dia por semana e deixar a vida me levar...uau!!!!
Sabe ,acho que vou começar a praticar isso!
Li seus últimos posts...continuo sendo sua fã pelo conteudo e pela qualidade dos seus textos.
E isso é sincero...é de coração!
Um beijo
Astrid
P.S. estou tentando deixar os acentos de lado como reza a nova ortografia...mas é complicado...levei sessenta anos para aprender a escrever corretamente e agora tenho que mudar tudo....!?!?!?

Ana Cristina disse...

Astrid, se a "brincadeira" lhe serve, no caso era uma pessoa muito responsável e com grandes responsabilidades pessoais e empresariais. :-) Obrigada pelo carinho e elogio. Eu não vou nem ligar aos assentos e não assentos :-)
bjo

Samsara disse...

Achei o máximo, imaginei a tal música, enquanto esta pessoa divagava pelas cidades. Eu senti a força de Neptuno há bem pouco tempo e senti bem o que quiseste transmitir.
Beijinhos

Ana Cristina disse...

Não há melhor aprendizagem Sam do que aquela que acontece quando "sentimos".
Beijo