14 de jan de 2009

what's love got to do with it


A propósito de aproveitar a onda, fazer o que temos a fazer, dar o próximo passo, pegar a vida pelos cornos, ser activo em vez de reactivo, já perceberam onde quero chegar. Em consulta, são muitas vezes identificadas relações emocionais deterioradas mas que mantêm uma aparente harmonia. São os casos, daqueles que se habituam a viver uma vida dupla ou a convencerem-se que a vida emocional não é importante, priorizando outras coisas, normalmente o trabalho ou os filhos ou outra actividade substituta. Existem outros casos em que a vida emocional é o mais importante e, quando esta está ameaçada parece que o mundo vai desabar com ela. Cada um terá as suas necessidades, por isso entender o que magoa e assusta; se o abandono, a traição (se fôr o caso), se o medo da solidão, se a dificuldade de se admitir publicamente o que se considera um fracasso... Astrologicamente existem grandes e claros indicadores do tipo de sentimentos que poderão aflorar em situações de rompimento emocional e que será importante que a pessoa tenha consciência destes, já que o ajudarão no trabalho de casa. Claro está que quem a sofre pode ter uma certa dificuldade em ver estas, está focalizado na situação que trouxe a dor e no sentimento. Muitas vezes ao fazer uma consulta nestas alturas, a pessoa vai à espera ouvir aquilo que gostaria de que tudo vai passar e correr pelo melhor, são usualmente conversas delicadas. Existe uma grande tendência para se pedir uma consulta de sinastria, normalmente respondo o mapa do próprio é suficiente, o que é verdade. Afinal nestas alturas é o próprio que tem de decidir o que quer fazer, qual o próximo passo que vai dar, como quer prosseguir a sua vida, se está disposto a perdoar (se for o caso). Quando não, apesar da dor, da desilusão, do desespero, estamos a tolher o nosso direito de escolha. A colocar no outro uma decisão que deverá ser nossa, já que somos nós que vamos viver connosco o resto da nossa vida.

10 comentários:

Maria Paula Ribeiro disse...

Ana,

Tentar reflectir aquilo que é nosso para o outro lado,

Quando na verdade, deveríamos olhar para o espelho, e VER o que ele nos reflecte.

Aquilo que vemos, e que é nosso.

;) Bonita leitura!

Bj

Ana Cristina disse...

sim sra linda menina, dizes bem e olha não esqueci mas até ao weekend estou nas corridas ok!

António Rosa disse...

Ana Cristina,

É esgotante quando ao darmos consultas percebemos que o/a cliente espera que sejamos nós a decidir, o que não é possível.

É a transferência da dor. É quando o/a cliente não percebe que se transformou num «corpo de dor» abdicando de si próprio/a.

Belíssimo texto.

Maria Paula Ribeiro disse...

Ana,

No Problem! ;-) Sem pressas!

Em relação ao tema de clientes, é engraçado ver a psicologia que se mantém, seja qual for o ramo. Explico melhor, aqui no meu ramo, muitas vezes os clientes querem que sejamos nós a decidir ou "remediar" um erro que não é nosso, essa tal "transferência".

Difícil de "manusear" por aqui também.
O que tento "a bom ou mau porto" é ser eu a segurar o tal espelho que falo em frente ao cliente. Duro, duro.

Bj

Ana Cristina disse...

"É quando o/a cliente não percebe que se transformou num «corpo de dor» abdicando de si próprio/a."

Muito bem dito António e o nosso trabalho :-) é acordar para que revejam essa postura de abandono.

Ana Cristina disse...

Não é fácil por vezes Maria Paula :-)

Fada Moranga disse...

Pois, muitas vezes as pessoas nao gostam de ouvir, e nao aceitam, que estao viver padroes de relacionamento que as prejudicam e que as impedem de viver o seu maior potencial. Deixo aqui a sugestao dum tema: "Como evitar levar uma pera durante a consulta"
:-))

Beijos***de Fada

Ana Cristina disse...

:-) Grata pela dica Fada, no entanto sei que com os erros aprendemos, por isso há sempre a chance da pessoa numa consulta, entender, reconhecer e iniciar outro trilho :-)
Votos de um excelente dia, o meu com beijos de Fada, deve ser bom.

Teresa Marcelino disse...

Fugindo por completo da Astrologia, há um livro do Alberoni que fala sobre isso "Tenham coragem". Também me lembro de um outro de Robin Norwood "Mulheres que amam demais", que no caso tanto faz ser mulher ou homem, pois no que respeita a largar o "corpo de dor" é sempre dificil, principalmente quando o confundimos com a nossa pele.
Não sei como consegue, todos os dias escrever sobre um tema diferente, colocar imagens interessantes e rechear o conteúdo de pontos de vista pertinentes. Sinceramente que a admiro.
;-)

Ana Cristina disse...

Teresa, grata :-), e sempre que se fala de comportamentos humanos, não se está a fugir à Astrologia, na minha óptica pessoal, para mim é uma ferramenta para conhecimento do individuo. Os dois livros que refere são realmente bons.
Beijo